Festival do Açúcar 2005


A Banda Velha União Sanjoanense efectuou recentemente mais uma viagem a Erstein, Vila Francesa dos arredores de Strasbourg, uma viagem que vem no seguimento das excelentes relações que esta banda tem mantido e os laços fortes de amizade que se têm criado tanto a nível musical, a nível dos habitantes das duas localidades e em termos de órgãos oficiais, como demonstra a recente (2004) geminação entre S. João de Loure e Erstein.
Esta viagem reveste-se de um significado especial pois, passado pouco mais de um ano, a banda é convidada a estar presente no Festival do Açúcar 2005, pela mesma organização que a havia convidado, uma primeira vez em 2000, mas agora com um estatuto diferente, devido a tudo o que se passou ao longo destes cinco anos.
É pois, com grande orgulho e satisfação que, faço este relato da viagem e de todas as actividades que a Banda fez durante estes 4 dias em que permaneceu em Erstein, viveram-se momentos, como devem calcular, de bastante actividade mas, também, de fortes emoções, a Banda Velha União Sanjoanense tem sido muito acarinhada e apreciada, nesta bela região de Alsace, e mais uma vez rubricou excelentes prestações, nas quatro frentes que teve de desempenhar, desfiles e mini-concertos a pé firme, concertos, missa e com a sua orquestra ligeira juvenil.
Queria deixar uma palavra de amizade e apreço pela excelente colaboração da Harmonie de Erstein e do seu maestro e amigo Damien Schall.
Foi na verdade mais uma jornada memorável!

Arnaldo Costa

Viagem a Erstein (Estrasburgo, França) 2005

A Partida - (23-Ago. - Terça-feira)

No dia 23 de Agosto de 2005, sensivelmente pelas 08.30h, a Banda V.U. Sanjoanense parte, pela terceira vez em cinco anos, de S. João de Loure em direcção à bela vila de Erstein, pela frente tem 2100 km para percorrer em cerca de 30 horas de autocarro.
Desta vez eu não estive presente na hora da partida e não fiz a viagem juntamente com a Banda, pois nesta altura já me encontrava em Erstein, tinha partido uns dias antes, mas estive em permanente contacto com o Sr. Luís Artur, presidente da Banda e com alguns músicos, que me transmitiram as emoções da partida e do decorrer da viagem e segundo eles a ansiedade era a normal nestas situações, mas um pouco atenuada pelo facto de à pouco mais de um ano, em Maio de 2004, a Banda ter feito precisamente o mesmo, o que levou a uma maior tranquilidade e que tudo se processa-se sem grandes sobressaltos, não existiram os “tais eventuais” atrasos partiram a horas e alegres para mais uma aventura.

A Viagem – (23 e 24 - Ago. - Terça e Quarta-feira)

Segundo me apercebi e pelo tempo que ela demorou, a viagem não podia ter corrido melhor, os condutores eram experientes, conheciam bem o terreno, e o autocarro apesar de não ser muito novo tinha o essencial – Ar Condicionado a Funcionar bem – e rolava bem, fizeram-se apenas as paragens necessárias, e todos pareciam apostados em chegar o mais cedo possível, o que acabou por acontecer, ainda recordo bem no meu interior a alegria e a ansiedade da voz do Sr. Luís, quando cerca das 11h da manhã do dia 24, ele me disse – “Sr. Costa estamos já a chegar, daqui por um bocadinho estamos já aí, estamos próximo de Estrasburgo, vamos parar para almoçar e estamos já aí!”
Esta frase quase que alertou toda a vila, porque estava prevista a recepção à banda apenas às 17horas nos jardins da Câmara e calculava-se que eles chegassem por volta das 15horas. Mas não havia problema, chegaram e chegaram bem, isso é que importava. Eram, precisamente, 12.40h quando o autocarro entrou na avenida principal de Erstein.
Estavam naturalmente cansados, mas bem dispostos, o reencontro foi alegre e emocionante era a primeira das muitas emoções que se iriam seguir. Foram dadas as instruções para a recepção na Câmara e do ensaio às 21.30h, e que poderiam estar à vontade até às 17 horas, dito isto desapareceram todos, alguém disse, “já conhecem bem os cantos à casa!”

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Recepção no Hotel de Ville (Câmara Municipal) (24 Ago. – Quarta-feira)

Ás 17 horas já todos se encontravam nos jardins da Câmara para a recepção informal por parte do Sr. Presidente Théo SCHNEE e das famílias acolhedoras, onde os elementos da banda iriam passar os restantes dias. Foi evidente a manifestação de carinho e amizade recíprocas, o ambiente era alegre e descontraído e todos pareciam já saber o que fazer, até parecia que já falavam bem o francês, porque o português não está fácil por estas paragens. Por entre um bom vinho de honra, vinho de Alsace branco e fresquinho, bolos e discursos de boas vindas, foi partido um pão que simbolizava o Pão da Amizade, feito especialmente para esta ocasião, não chegou para todos mas o gesto foi bonito, ao fim de várias conversas, brincadeiras e muitos abraços, e beijos (à francesa) lá foram cada um para a sua casa de acolhimento, até à data não se consta nenhuma reclamação.

Ensaio Geral - Sala de ensaios da Harmonie de Erstein (24 – Ago. Quarta-feira)

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Apesar do cansaço da viagem espelhado em todos, ás 21.30h. lá estavam todos, não era possível fugir a este ensaio, que inicialmente não estava previsto, a carga horária e de serviços que nos aguardavam não permitiam outras possibilidades e era necessário fazer um “ponto de situação”, ver se o material estava todo bem, fazer uma adaptação ao material cedido gentilmente pela Harmonie e dar todas as instruções para o programa que nos esperava.
Fez-se um pequeno ensaio, mais para descomprimir e, ao mesmo tempo, ganhar a confiança de que tudo estava bem, a boa assistência que o ensaio teve também ajudou e o cansaço da viagem quase que foi esquecido. Ás, 22.45h. regressavam ás casas, agora sim, para descansar.

Europa Park – Rust-Freiburg, Alemanha (25 – Ago. Quinta-feira)

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A partida para a Alemanha deu-se por volta das 09horas e a viagem até ao centro de diversões Europa Park durou cerca de 30 minutos, tendo em conta que a distância entre a vila de Erstein e a de Rust-Freiburg, são pouco mais de 25 Km.
O dia não estava muito convidativo o céu apresentava sinais de que poderia chover, o que veio mesmo a acontecer, mas, não foi o suficiente para arrefecer os ânimos dos dois autocarros, pois a Banda Francesa juntava-se a partir de agora a nós e as ordens do dia eram, “depois da actuação conjunta diversão conjunta”, por isso todos estavam super motivados, embora para nós portugueses, que não conhecíamos bem o recinto, a expectativa fosse maior, esta, foi aumentando de tom assim que, já nas proximidades do local, avistamos a gigante Montanha-Russa que faz (e fez) as delícias e os enjoos de muitos. Depois de acertar a actuação com a organização, pois teve que sofrer uma ligeira alteração devido às condições atmosféricas, passando de desfile em conjunto, Banda V. U. Sanjoanense e Harmonie de Erstein, para actuação em pé num grande “Coretto”, existente no centro do recinto, das 12h às 13h. Uma actuação que se pautou por números de exibição ligeiros e tradicionais alternados com “marchas de rua”, que as duas bandas trabalharam para tocar em conjunto.

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Convém referir que a presença das duas bandas se devia à inauguração que o Park estava a fazer da área reservada a Portugal e à nossa história Marítima, com o divertimento “Atlântica SuperSplash”, e à participação que o Europa Park faz, igualmente, na Festa do Açúcar em Erstein.
Até à hora de mudar de roupa e vestir os fardamentos (pois não era permitido transitar no parque fardado sem ser em exibição) deu tempo para cada um espreitar onde se queria divertir, quando acabou a nossa actuação e se vestiu novamente a roupa civil, foi cada um por si, ou em grupos, tentar gozar ao máximo todos os momentos e todas as emoções que aquele magnifico espaço proporciona, tanto a jovens como a menos jovens, havia diversão para tudo e todos até à hora de fechar, cerca das 19horas.
Foi, como devem calcular, um dia bem passado, apesar da pequena chuva, que volta e meia insistia em cair e a organização não ter disponibilizado um espaço (talvez tenha sido este o ponto mais infeliz do dia) para as nossas mudanças de roupa, uma área tão grande e com tantos recintos não foi possível um espaço para tal, tivemos que fazer à portuguesa, dentro do autocarro, bem, se calhar não foi à portuguesa foi à alemã. (enfim, nem tudo são rosas!)

Jantar em Erstein (25 – Ago. Quinta-feira)

Depois da diversão por terras germânicas, regressámos à bela e florida vila de Erstein directamente para um jantar oferecido pela Associação “LA LYRE”, uma colectividade local dedicada à música, à caça e à pesca, e que tem nos seus corpos gerentes elementos pertencentes à Harmonie de Erstein. Foi mais um momento agradável, com a presença das entidades locais e de todas as famílias de acolhimento, onde o convívio imperou e a boa comida e o bom vinho também, a comida era típica alsaciana, com salada de batata e muita carne, especialmente as célebres “Knacs”, salsichas frescas que depois de cosidas até estalam, fazem “knac”. Quando todos já estavam bem “comidos e bebidos” entra em cena a “charangada” típica portuguesa, que esta banda se orgulha de manter na sua tradição e que fez as delícias de todos os presentes, abrindo assim um bailarico improvisado que durou até que as forças começassem realmente a mandar todos para a cama, porque o dia seguinte era de maior responsabilidade.

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Visita a Obernai (26 – Ago. Sexta-feira)

Passada a euforia, do dia anterior, a parte da manhã desta sexta-feira estava destinada a um relaxamento diferente, o programa contemplava uma visita a umas caves vinícolas da região, mas optou-se por dar liberdade de escolha, para quem quisesse visitar a vila de Obernai e fazer algumas compras, ou desejà-se realmente visitar uma cave vinícola. Assim, a parte da manhã foi preenchida num clima de descontracção. Como nota explicativa, gostaria de referir o seguinte, as vilas nesta região de Alsace (nordeste francês que faz fronteira com Alemanha e Suiça) têm entre elas uma competição que levam bastante a sério, competem pelo título da vila mais florida, mais bela, e todos os anos há um júri local que atribui esse galardão, representado na atribuição de uma flor (tipo trevo) que marca as entradas da vila junto à sua placa identificativa, assim as vilas competem pelo maior número de flores nas placas, sinal de que são as mais belas, mas se não se mantiverem no nível exigido a flor colocada pode ser retirada. A Vila de Erstein recebeu este ano a sua segunda flor, o que já é bom, para a média local, pois o máximo existente é de quatro e apenas uma tem esse privilégio, a Vila de Obernai, que a Banda visitou, tem 3 flores é uma das mais belas da região, tudo está enfeitado desde janelas a telhados é um ambiente de autêntico conto de fadas.

Ensaio Geral (26 – Ago. Sexta-feira)

De volta ao trabalho às 14.30h, era necessário acertar os últimos pormenores para o grande concerto no Pavillon Joséphine, foi, essencialmente, este o motivo deste ensaio que já estava previsto e mentalizar os músicos para o ambiente de maior responsabilidade que uma casa como a do concerto dessa noite exigia, dar as ultimas instruções e partir para Strasbourg, passando primeiro pela Câmara Municipal, para uma recepção agora com carácter oficial.

Recepção Oficial No Hotel de Ville (26 - Ago. - Sexta-feira)

Às 17h., como estava previsto, toda a Banda V. U. Sanjoanense, foi recebida no salão nobre do Hotel de Ville, onde foram, novamente, reforçados os votos de boas vindas, trocaram-se algumas lembranças entre as duas entidades, Junta de freguesia de S. João de Loure por parte do seu Presidente Eng. Adalberto Póvoa e Vila de Erstein pelo seu Presidente Theo Schnée, para complementar esta cerimónia protocolar foi servido um lanche ligeiro, que serviu como retemperador de forças para a deslocação que iríamos fazer de seguida, por volta das 18.30, para Strasbourg.

Concerto Pavillon Joséphine – Strasbourg – (26 – Ago. Sexta-feira)

O Pavillon Joséphine é uma ala do antigo Palácio de Valsas de Napoleão, que este mandou construir, no grande Parc de L’Orangerie existente na cidade de Strasbourg, actualmente é o parque da cidade, onde, podemos encontrar belos jardins, belos espaços verdes e também um pequeno Zoo, no seu centro ergue-se majestosamente, como convém, este belo edifício, um espaço dedicado ás mais variadas artes, quer plásticas quer musicais, a sala Joséphine, ou Pavillon Joséphine é destinada aos grandes concertos e tem uma capacidade entre setecentas a oitocentas pessoas, a outra grande sala existente, conhecida também por Pavillon Napoleão, está mais vocacionada para a realização de casamentos e exposições, é um ambiente que nos faz recuar no tempo, faz-nos sentir pequenos ao contempla-lo, mas, ao mesmo tempo, a sua beleza transmite-nos uma misteriosa serenidade.

Este concerto inseriu-se, desta vez, a primeira foi no ano 2000, na programação cultural oficial da cidade, a convite da própria organização dos eventos culturais da cidade de Strasbourg, que desde logo, em 2000, manifestou interesse em promover um novo concerto, assim, passados cinco anos, a Banda Velha União Sanjoanense voltou a estar presente, dentro de um programa bastante recheado de participações nacionais e internacionais. As expectativas estavam mais altas do que nunca e era preciso corresponder positivamente.

Cerca da 19.15h, chega-mos ao Pavillon Joséphine, não havia tempo a perder, não nos podíamos demorar a contemplar a bela paisagem que nos rodeava, era preciso preparar tudo, às 20.30 era a hora para começar, e tudo tinha que estar pronto a tempo.
Montado o palco e feita a afinação na sala de Napoleão, restava-nos respirar fundo, estar confiantes e entrar bem numa sala que já se apresentava cheia para nos receber, os músicos entraram em fila, atravessaram a sala, cada um para o seu lugare e logo aí as palmas foram do primeiro até ao último, estava um óptimo ambiente para se fazer um grande concerto.
A apresentação do concerto esteve a cargo de um músico amigo, da Harmonie de Erstein, o André, que gentilmente se ofereceu para traduzir o programa e fazer, e muito bem, toda a apresentação.

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Começamos com o paso-doble VILA FRANCA, e apesar do nervosismo inicial, normal nestas situações, logo se conseguiu prender o público, mas, para mim foi sensivelmente, a meio, do sempre difícil e delicado, primeiro andamento da Abertura do Guilherme Tell, aí sim, eu senti que realmente iríamos fazer um grande concerto, “eles estavam lá”, como eu costumo dizer, e estavam a entregar-se no seu melhor, não me enganei.

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O concerto foi gravado ao vivo por um músico da Harmonie de Erstein, que tem equipamento próprio e bastante aceitável para o efeito, a gravação existe e permite-nos concluir que, em situação de concerto ao vivo, está muito bom, mas, não nos consegue aproximar do que se passou lá na realidade, ao vivo, o ambiente, as reacções do público, os discursos elogiosos ao intervalo e a surpresa demonstrada por alguns portugueses, e não só, que pela primeira vez assistiram a um concerto desta Banda, tudo isso que lá se passou e que infelizmente não ficou gravado no CD, irá, certamente, ficar na memória de todos os que lá estiveram, durante mais de hora e meia de concerto, com a sala completamente esgotada, mesmo de lugares em pé. Como dizia o Sr. Luís Artur, Presidente da nossa Banda, “São momentos destes que nos fazem valer a pena todo o trabalho, todas as preocupações!”. Eu compreendo-o bem e concordo inteiramente com ele e lembro-me de ter acrescentado, “São momentos que ficam para toda a vida!”, para mim especialmente, porque ainda tenho a acrescentar, a todas estas emoções próprias de um concerto bem conseguido, o facto de ter a minha família presente, a minha esposa as minhas filhas e os meus pais, só isto já era um privilégio para mim, mais ainda quando fui alvo de uma bonita e sentida manifestação de carinho, traduzida na oferta de uma pequena lembrança, que me encantou a mim e julgo que a todos os presentes, por parte das pessoas que têm sido os verdadeiros motores de todas estas viagens e acontecimentos, ao longo destes cinco anos, a família Silva especialmente os dois irmãos, Joaquim e Manuel Silva, naturais de S. João de Loure e emigrados à muitos anos em Erstein, e à Direcção da Banda Velha União Sanjoanense, na pessoa do seu Presidente Sr. Luís Artur Silva.

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O programa apresentado foi:

1ª Parte
VILA FRANCA – Paso-doble Opus 80,nº2 de Jorge Salgueiro
GUILHERME TELL – Abertura da ópera – G. Rossini. Arr: Fernando Costa
CONTRASTO GROSSO – Suite par Banda – Jacob de Haan
MORNAS E COLADERAS – Selecção Temas Cabo-Verde – Afonso Alves
2ªParte
DANCING CARD – Mini –Medley nº 1 – Randy Beck
VARIANTI – Medley – Wim Laseroms
RECORDAÇÕES DO PASSADO – Rapsódia – Alberto Madureira
Extra programa:
MORRICONES MELODY – de Ennio Morricone, arr: Roland Kernen
Com dois solista Saxofone Alto – Sara e Tiago
ALLÉ A ERSTEIN – Marcha – Fernando Costa
Marcha que marca a primeira viagem a Erstein pela Banda e todas as cerimónias daí resultantes entre as duas Bandas, foi dirigida pelo próprio autor.

Depois de todas estas emoções a Banda regressou a Erstein, com a satisfação a pairar no ar, o cansaço a mostrar-se e com uma fome que só foi superada, no jantar (ceia) convívio que se seguiu, mais uma vez, na Associação LA LYRE, bem hajam!

Visita aos Ateliers Municipais (27 – Ago. – Sábado)

Ás 9.30h da manhã, já as duas Bandas estavam prontas para mais um dia em cheio, desta feita, tratou-se de uma visita de carácter formal e guiada pelo Sr. Presidente da Câmara, ao local, onde estavam a ser preparados os Carros Floridos, ao todo uma dúzia e meia de carros que estavam a ser cobertos por flores, nada mais do que 30 toneladas de flores, representando o tema escolhido para este ano, pela Organização, “O Universo Imaginário das Crianças”, para além destes carros floridos, existe um carro que é a atracção principal do desfile e que é mantido em segredo até à ultima hora, pois é todo ele forrado a Açúcar, milhares e milhares de pequenas pedras de açúcar, – é a principal fonte de produção de Erstein o Açúcar, este carro, obviamente que, não o podemos ver tivemos que esperar para a noite. Prestamos, assim, uma pequena homenagem às dezenas de pessoas que estavam a trabalhar nos carros, executamos vários temas ligeiros, mais uma vez em conjunto e de certa forma, foi como se, estivéssemos a “dar entrada” na festa propriamente dita, pois foi a comissão organizadora do festival deste ano (a mesma de à cinco anos atrás) quem nos convidou formalmente para participarmos no “Festival do Açúcar ano 2005”

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Inauguração da Rua de S. João de Loure (27 – Ago. – Sábado)

Por volta das 11horas, as duas Bandas em conjunto, numa formação de 6 filas, com um total de 100 elementos, e desfilando com, as duas Bandeiras Nacionais, a Bandeira de S. João de Loure e de Erstein e a Bandeira da Banda V. U. Sanjoanense, colocavam-se em frente á residência do Presidente da Câmara de Erstein, para a entrega, por parte da Comissão Organizadora do Festival, do “Pan de Épice”, símbolo das festas do Açúcar e que, todos os anos por esta altura, é confeccionado para ser entregue a toda a população, é um pão de especiarias, feito com frutos e mel, de forma achatada e oval, com cor castanha e que é ornamentado com desenhos feitos de açúcar, com flores e dizeres sobre o festival, este pão, é oferecido pela organização e é uma espécie de convite para participar nas festividades.

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Depois das formalidades, na entrega do pão, seguimos todos em conjunto e em desfile até ao local onde se situará, a partir de agora, a rua de S. João de Loure em Erstein. Chegados ao local foi descerrada a placa com o nome da rua, pelos dois Presidentes Erstein e de S. João de Loure, na presença do Sr. Cônsul Geral de Portugal em Strasbourg Dr. Duarte Simões, que desde o concerto no Pavillon Josephine, fez questão de estar presente nas restantes actividades, coube-lhe a honra de cortar a fita dando assim abertura à rua. Durante a cerimónia foram executados, pelas duas bandas em conjunto, os Hinos Nacionais Português e Francês e o Hino da Comunidade Europeia. Seguiram-se os habituais discursos e o refrescante vinho de honra, depois das (muitas) fotos da praxe, cada um foi almoçar com as famílias de acolhimento.
Foi uma cerimónia simples mas bonita e carregada de significado, mexeu mesmo com a emoção de algumas pessoas presentes.

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Concerto no átrio da Igreja – (27 – Ago – Sábado)

Durante as festas do Festival do Açúcar, a cidade fica com a área central fechada e só pagando entrada é que se assiste aos vários eventos, espalhados pelo recinto da festa, vários grupos de música tradicional, de dança, pequenas harmonie/fanfarras, fazem as suas exibições, aquecendo o ambiente para o que se vai passar, mais tarde, na hora do desfile, a nós, foi-nos indicado o átrio da Igreja para fazermos um concerto, das 17h ás 18.30h, foi um concerto normal, em que, o objectivo era criar ambiente, tanto para as pessoas que passavam, como para as que se encontravam nos recintos destinados à comida, a banda voltou a fazer um bom concerto, descontraído, mas com vontade de mostrar as novidades do nosso repertório, acabamos por despertar a atenção do público que permaneceu em bom número para nos escutar e aplaudir, foi um concerto agradável e interessante.

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Desfile no “Corso Flori - Erstein 2005” – (27 – Ago. – Sábado)

Às 20.15h, tínhamos ordens para estar no local 24 da rua destinada ao alinhamento dos participantes no desfile, a posição 24 era a penúltima, antes do Carro do Açúcar, que por tradição fecha o desfile, a nossa posição era, portanto, considerada o lugar de honra dos convidados especiais, e de facto era uma caso especial pois iríamos desfilar em conjunto com a Harmonie de Erstein, o que significava, um agrupamento com 100 músicos (a Banda de V. U. Sanjoanense tinha 62 elementos e a de Erstein 38), foi o maior agrupamento musical que por lá desfilou nos últimos anos, disseram. O desfile só começava ás 21horas e, durante o tempo de espera, vários grupos faziam autênticos despiques a tocar os seus temas, é lógico que, num ambiente de brincadeira e de boa disposição, não tardou nada para que os músicos portugueses entrassem também na “festa” e foi o bonito, conhecendo os meus músicos como conheço, disse para mim, “Agora é que a festa vai começar!” e não me enganei muito, pois passado pouco tempo, tínhamos os músicos portugueses no centro das atenções, a improvisar e a animar o pessoal com os restantes foliões a assistir e a perguntar-se – “quem diabo são estes que nunca mais se calam?”, foi mais um momento interessante, onde se fizeram novas amizades e alguns quiseram mesmo trocar temas musicais.

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Às 21horas lá veio o sinal para todos estarem nos lugares, o desfile ia começar, uma coisa a salientar em todos os eventos, era a certeza do cumprimento dos horários, talvez por estarmos a um passo da Suíça, aqui horas são rigorosamente horas. O desfile começa, o cenário era mágico, o carro do Açúcar que estava mesmo atrás de nós era lindo e a iluminação dava-lhe um brilho especial, um carrossel para crianças, digno das histórias dos contos de fadas, todo forrado a açúcar, incrível, todos os carros tinham um encanto especial dado pela iluminação, este ano foi a primeira vez que fizeram este desfile ao fim do dia para realçar as iluminações, tudo estava lindo. A sensação ao entrarmos na primeira rua, com uma multidão que nos esperava e aplaudia, foi algo espectacular. O percurso não era nada pequeno, tínhamos que fazer duas passagens no centro da vila, a praça central mesmo em frente à Câmara, onde se encontravam a tribuna de Honra e os Júris do Festival que pontuavam os Carros Floridos. Lembro-me de quando fizemos este desfile, à cinco anos, na primeira passagem, mesmo ao entrarmos na praça, começou a chover quase torrencialmente, ficamos encharcados, mas continuamos o percurso e fizemos a segunda volta, algumas formações desistiram nessa altura. Desta vez, nada de chuva mas sim, calor e o calor das milhares e milhares de pessoas que assistiam durante todo o percurso e no recinto, era contagiante ao ponto de termos pouco tempo para fazer descansar os músicos.
Quando passamos a segunda vez pela praça, tínhamos que fazer uma pequena exibição e eu e o mau amigo Damien Schall, maestro da Harmonie de Erstein, tínhamos uma surpresa para todos “na manga”, à cinco anos atrás quando fizemos a nossa exibição, no caso só a banda portuguesa, não estávamos preparados e eu limitei-me a virar a banda para os quatro lados, enquanto esta tocava a marcha “Vamos em Frente”, no entanto e para surpresa minha este gesto caiu muito bem no público, pois segundo eles, nunca tinham cumprimentado os quatro lados do público, bom, este ano a actuação era diferente, era preciso fazer qualquer coisa nova, trabalhamos então, em conjunto e em segredo, umas evoluções no terreno, tipo “Tatoo Militar”, o que, ao inicio, não foi nada fácil, movimentar 100 músicos e em pouco tempo de treino era algo arriscado, mas arriscamos e assim o fizemos.
Na altura da exibição, o Damien e eu, estávamos algo ansiosos, mas, ao mesmo tempo, sabíamos que não tínhamos nada a perder, depois da banda parada em plena praça e quase a ocupar todo o recinto, desta vez a tocar uma marcha bem nossa conhecida e que eles também gostam muito, o “Vinho do Porto”, viramos a gigantesca banda para os quatro lados, repetindo assim o gesto de à cinco anos, depois disso, avançamos os dois pela banda dentro dando inicio ás movimentações treinadas, invertemos a banda várias vezes até ficarmos outra vez na posição inicial, no local ficamos com a sensação de correu bem, mas só quando vimos as imagens vídeo é que reparamos que saiu quase perfeito, “só uma banda militar e depois de muitos treinos!”, exclamou o Damien, ficamos os dois super contentes, pois nem eu nem ele, estávamos em consciência à espera que corresse assim, só tínhamos treinado cerca de 25 minutos, era apenas para fazer uma gracinha mas, ainda bem que correu assim, foi mais uma belíssima participação em conjunto das duas bandas. Os músicos estão todos de parabéns pelo brilhantismo que demonstraram.

Depois do desfile, que durou mais de duas horas, as duas bandas marcaram, ainda, presença nos jardins do Hotel de Ville, para as cerimónias oficiais de agradecimentos às individualidades presentes e atribuição dos prémios aos carros concorrentes no desfile, a gigantesca banda executou, para os presentes, duas marchas e recebeu os elogios de todos terminando assim mais um dia, bastante preenchido e cansativo, desta pequena aventura.

Missa na Igreja St. Martin em Erstein – (28 – Ago. – Domingo)

A igreja de St. Martin é uma das maiores igreja das região e quase que se assemelha a uma autêntica Catedral, é a Igreja matriz de Erstein e tem no seu interior, entre outras preciosidades, um belíssimo e gigantesco Órgão de Tubos, um Roethinger de 1914, considerado um dos maiores da Europa e o segundo maior de França, é um prazer imenso ouvi-lo, faz parte da “Rota dos Órgãos”, designação dada pelo percurso dos concertos para Órgão, dados pelos melhores Organistas do Mundo.
O ano passado, quando estivemos em Erstein para as cerimónias de geminação entre as duas Vilas e as duas Bandas, fomos gentilmente convidados pela comunidade portuguesa, aqui presente, a cantar na Missa Dominical em alternância com o grupo Coral local, foi algo que nos emocionou muito e fez-se uma Missa muito bonita, esteve presente na altura o Sr. Padre Querubim da paróquia de S. João de Loure, o que resultou numa missa de carácter bastante especial. Este ano, sabendo da nossa presença novamente em Erstein, o convite foi renovado e foi com grande prazer e alegria que às 10 horas, estávamos prontos para participar na missa, cantando em alternância com o grupo local e pelo belíssimo Órgão, novamente, viveram-se momentos emocionantes e formulamos desde logo, eu e a maestrina do grupo coral D. Beatriz, o desejo de fazermos proximamente uma missa completa em conjunto, apesar da diferença linguística penso que tal será possível é mais um desafio que estamos prontos, com todo o gosto, a aceitar.
No final da Missa e depois dos cumprimentos, tínhamos novamente à nossa espera a Harmonie de Erstein para mais uma actuação em conjunto.


Mini - Concerto e desfile em conjunto – (28 – Ago. – Domingo)

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Este Mini-Concerto, feito em pé, destinou-se a brindar as pessoas que assistiram à missa e para uma breve troca de presentes, entre as duas Bandas e a Câmara Municipal, de seguida, já em formação de desfile, percorremos algumas ruas da bela vila até ao pavilhão central de Erstein, aí, esperava-nos um almoço convívio entre as duas Bandas, finalizando assim, desta forma agradável as actuações, em conjunto, nesta digressão de 2005, no entanto, a Banda Velha União Sanjoanense ainda tinha mais algo a fazer, desta feita, com os mais jovens, através da sua Orquestra Ligeira Juvenil.

Actuação da Orquestra Ligeira Juvenil – (28 – Ago. – Domingo)

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Às 15.30 em frente ao Hotel de Ville, em plena praça de Erstein, a Orquestra Ligeira Juvenil, começou a montar o seu material, para surpresa de muitas pessoas, pois não estava anunciada esta actuação, era uma surpresa, é tradição neste Festival do Açúcar no dia a seguir ao desfile partir-se o Grande Bolo da Festa, oferecido a todos, logo, junta centenas, ou mesmo, milhares de pessoas, a nossa actuação era precisamente para criar surpresa entre os presentes, por volta das 16horas começamos o nosso espectáculo, dentro de uma sequência de programa que vem sendo habitual na Orquestra, com números ligeiros bem ritmados, alternando com pequenos “slows”, mais uma vez conseguimos prender o público, os números seguiram-se em bom ritmo e o público participava alegremente, durante sensivelmente uma hora e vinte minutos, a Orquestra Ligeira Juvenil, pode dizer-se que deu um autêntico “Show”, apesar do cansaço, evidente em todos, estes jovens não se deixaram intimidar e mostraram uma alegria e vivacidade que a todos contagiou, quando terminamos, estava, igualmente, terminada a nossa participação nas Festas do Açúcar de Erstein 2005, depois de guardado o material foi só dizer, “Parabéns pessoal, gozem o resto do dia!”

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Partida de Regresso a Casa – (29 – Ago. – Segunda-feira)

Na manhã de segunda-feira, o Sol brindou-nos com grande intensidade, o calor fazia-se sentir e a paisagem da Vila de Erstein revestia-se de um encanto especial, estávamos na hora de partida e tudo o que nos rodeava já começava a deixar saudades, quando me dirigi para o local onde estava o autocarro português ao passar pelas ruas, pelas mesmas ruas onde poucas horas antes tínhamos actuado, senti uma grande nostalgia e ao mesmo tempo um conforto pelas boas recordações que aqueles lugares me traziam, tenho a certeza que o mesmo se passou com todos os elementos que participaram nesta jornada, ninguém fica indiferente a tudo o que se tinha passado.
O autocarro lá estava, já quase tudo carregado a hora de partida era para as 9.30h, mas ninguém tinha muita vontade de subir, eu, como viajei na minha viatura, não iria fazer a viagem com eles, mas estava ali como se estivesse realmente a partir. As famílias que acolheram os elementos da Banda estavam todas presentes e também não tinham muita pressa em se despedir, as despedidas são sempre dolorosas, mesmo quando as situações são previstas como esta, só sei que eram 10.30h e o autocarro ainda continuava no mesmo local, até que foram dadas ordens mais vincadamente e lá entraram todos, as imagens que ficam, de ver o autocarro partir, são marcantes, pois todos os que ficaram, tiveram uma sensação mista, de alegria e tristeza, alegria por tudo o que passaram e passamos juntos e tristeza por esses momentos serem, agora, apenas uma recordação, uma grata recordação. Até para o ano em S. João de Loure!

Gostaria de terminar agradecendo a todos os que tornaram esta aventura possível, em especial à família Silva, pelo seu incansável apoio, para que tudo corre-se da melhor forma, à direcção da Banda na pessoa do seu Presidente, Sr. Luís Artur, que todo o cuidado teve na organização e que estiveram impecáveis e à junta de Freguesia de São João de Loure na pessoa do seu Presidente Adalberto Póvoa que, mais uma vez, para além da sua agradável presença, prestou-nos todo o apoio possível. Agradeço, em nome de toda a Banda, à amiga Harmonie de Erstein e ao seu maestro Damien, todo o apoio e carinho demonstrados, assim como, ao Sr. Presidente da Câmara de Erstein, Sr. Théo Schnee, a quem agradecemos, mais uma vez, todo o acolhimento e simpatia que nos dispensaram.
Também, não poderia deixar de dar uma palavra de agradecimento, à firma portuguesa Cardoso & Conceição, por todo o apoio prestado na disponibilização dos novos CD’s da banda, bem a tempo de os levarmos para França e, igualmente, todo o apoio que estão a dar na divulgação deste evento.

A música é uma arte extraordinária, para a aproximação das pessoas e de povos, a música pode ser, como aqui se demonstra, um elo muito forte de ligação entre as pessoas, deve, portanto, ser utilizada para unir e não para desunir, bem hajam, todos os que contribuem para que estas uniões aconteçam.

Arnaldo Costa

Maestro da Banda Velha União Sanjoanense