Mensagem da Presidente pela passagem do 182° Aniversário

Caros amigos:

Este foi um ano de intensa actividade para a nossa colectividade. Foram inúmeros os desafios a enfrentar, as barreiras vencidas, as expectativas e objectivos alcançados. E difícil descrever nesta folha de papel as emoções sentidas ao longo deste ano! Felizmente alguns de vocês presenciaram muitos destes momentos marcantes e inesquecíveis. Por vezes não basta ser uma boa banda ou seja, afinada, equilibrada, a executar obras de grande nível de dificuldade de execução ou de grande nome. E necessário ir ao encontro de quem nos ouve, do espectador. As expectativas de quem vai ouvir uma banda não são as mesmas numa romaria ou num concerto de auditório mas é por eles que existimos. Por esta razão, hoje uma banda tem de ser polivalente e estar preparada para satisfazer o espectador sob pena de ser posta de parte. Esta tem sido uma das nossas preocupações. Felizmente, dentro da nossa humildade e com muito esforço e trabalho, temos correspondido ao nosso público e esta foi uma época fantástica! O que realmente faltou em muitos momentos destes foi o aplauso do público da nossa casa, da nossa terra pois são poucas as pessoas que nos acompanham e que vivem connosco a riqueza de sermos filarmónicos! Mas hoje, vocês estão aqui connosco e isso significa muito. Seja qual for a razão, responderam ao nosso chamamento... e só tenho a agradecer pela vossa presença!
Um dos nossos grandes objectivos tem sido conseguir actuações de relevo onde pudéssemos enfrentar outras bandas e isso realmente aconteceu, e com muito sucesso, pena é continuarmos com algumas velhas dificuldades que se prendem com a falta de infra-estruturas e meios humanos para a realização de alguns projectos. Ainda no início do ano, aquando das eleições para os novos corpos gerentes da associação, não apareceram caras novas para ajudar... Lá ficámos os mesmos... Vivemos num mundo materialista em que as pessoas para ficarem em qualquer cargo esperam ter em troca protagonismo, ver o nome nos jornais ou serem remunerados. Aqui, meus amigos, nada disto existe: não pode haver interesses, cores, esperança de enriquecimento ou algo do género! Trabalha-se todos os dias, vivem-se dificuldades, constrói-se a casa devagar e sempre com muito cuidado pois com um pequeno descuido, tudo pode vir por terra. Não há tempo para ir de férias com a família, para festejar o aniversário ou juntar os amigos em casa! É incrível! Mas hoje, tenho a certeza que tudo vale a pena pois para além da boa época que fizemos e que já descrevi, existe um ambiente fantástico entre os executantes, onde não há velhos nem novos e onde mesmo perante as dificuldades tudo se supera em conjunto.
Procuramos responder de forma coerente a todas as solicitações que nos são feitas. Temos pena que na nossa terra se tenha perdido um pouco as tradições de festividades e estou certa de que o mesmo não se deve à crise que o pais atravessa mas sim à falta de bairrismo e, como dá muito trabalho, tenta-se fugir... não dá lucro a ninguém... No entanto, este ano e graças ao esforço de alguns fizeram-se algumas coisas na nossa terra e nós participámos nas Marchas Populares, na procissão do Padroeiro, S. João Baptista, e na Procissão da Comunhão para além de termos organizado a 1ª Edição de Música de Câmara com a realização de 4 concertos em diversos pontos da freguesia e o Intercâmbio com uma banda espanhola. Penso que contribuímos para o engrandecimento da cultura na nossa terra e engana-se quem disser o contrário... Mesmo sem as melhores condições de trabalho, continuaremos a realizar eventos na nossa terra mas, queremos a vossa colaboração.
E afinal quem dá valor ao nosso trabalho? São vós todos aqui presentes! Desde sócios a amigos, colaboradores, apreciadores, executantes, maestros, corpos directivos de outras associações, órgãos do poder local, meios de comunicação, autoridades e especialmente familiares de executantes a quem tantos nervos causa a nossa actividade pois ficam muitos planos, ao longo do ano, sem efeito. Acreditem que também não é fácil para o executante e isso sente-se quando se perde para sempre alguém que nos é querido. Perguntamo-nos muitas vezes porque não estivemos mais vezes com eles, porque não as ouvimos e apoiámos e se valeu a pena estar sempre longe para defendermos esta causa que é a cultura musical...
A riqueza do mundo filarmónico é enorme e acordem todos os que assim não pensam... Quantas vidas se salvam do flagelo da droga e de outros rumos semelhantes? E um mundo de humildade, onde não há luta pelo poder ou pelo materialismo, não há rancores nem ódios pois estão todos pelo mesmo! Não é grandioso este mundo? Só resta que nos ajudem a ir mais além! Este ano conseguimos, ao fim de 8 anos, a isenção do IRC o que trás benefícios fiscais a quantos nos possam ajudar.
Obrigado a todos e um grande bem hajam!



S. João de Loure, 12 de Outubro de 2008

A Presidente da Direcção,
Etelvina Almeida